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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

FRESCOS ITALIANOS (RENASCIMENTO)

Acede a alguns dos mais belos frescos italianos aqui:
Frescos.pps

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

FRANCISCO DE HOLANDA (11ºANO)



Francisco de Holanda foi um dos mais relevantes expoente da reflexão estética no renascimento português. Pintor e humanista, nascido em Lisboa em 1517, filho de António de Holanda, cuja projecção no âmbito da pintura e da iluminura se havia já firmado entre nós, é na escola de seu pai que adquire os primeiros conhecimentos da arte da pintura. Em 1537 parte para Roma no âmbito da política cultural de D. João III que tanto estimulou a presença de bolseiros portugueses nos maiores centros da cultura europeia da época.
Aportando a Itállia já com uma importante bagagem cultural adquirida em Évora, viria a considerar-se discípulo de Miguel Ângelo, relatando nos Diálogos em Roma os aspectos mais marcantes e fecundos do seu convívio com o mestre italiano.
Na obra deste pintor português, o maneirismo está presente através do aspecto que melhor o define: a premissa teórica da Ideia, concebida platonicamente como fonte da beleza e recondizida, em última análise, ao intelecto divino. Encarada pelos tratadistas italianos como "scintilla della divinitá", a ideia é um reflexo, no entendimento humano, do modelo eternamente imanente ao intelecto divino, do qual procedem todas as criaturas. Ao artista, ser privilegiado, é dado imitá-la, nela reconhecendo os aspectos universais da natureza, identificados com a verdade.
Como escreveu no Tratado da Pintura, a sua obra de maior consistência teórica, a ideia é responsável pela invenção de uma «segunda natureza», concebida interiormente, plasmada no intelecto e fruto do engenho. Assim, a beleza é encarada num contexto que permite equacionar uma profunda aliança entre a estética e a metafísica. Por isso, para Francisco de Holanda, Deus é a fonte de toda a pintura, sendo também ele o primeiro pintor. A criação é por si encarada como um dar forma pela luz, recuperando a metafísica da luz do platonismo, concebendo por isso a criação como uma função plástica animante, correspondendo a um modelo ou ideia previamente formulado no intelecto divino, tema já sublimemente afirmado por Sto. Agostinho ao estabelecer que Deus não connhece as coisas porque elas existem, mas que as coisas existem porque ele as conhece.
Nestes termos, a pintura humana consiste num criar de novo, numa função plástica inanimante, pois que o pintor «encerra em si aquela ideia criada no entendimento criado, com que imita ou quer imitar as divinas ciências incriadas com que o muito poderoso Senhor Deus criou todas as obras».
Quer isto dizer que o conceito de imitação, a que tantas vezes se refere, não atende tanto à multiplicidade do real concreto, na sua condição aparencial, mas sim à «verdadeira natureza», representada na ideia. Logo, o acto de criar é uma função de «olhos interiores» em que o pintor, num estado de «grande silêncio e segredo» se deixa conduzir pelo «divino furor da criação». Esta mesma referência ao furor supõe o triunfo da idealização como fruto das capacidades inatas do engenho e não da imposição de factores exteriores, expressos em preceitos rígidos, tecnicamente transmissíveis. Daí a associação do maneirismo à noção de fantasia artística, razão por que não deverá o pintor, com a sua obra, preocupar-se em «agradar ao vulgo», mas sobretudo a si próprio, reforçando essa dimensão interior que assiste ao processo criativo,
Mas sendo fonte da pintura e primeiro pintor, Deus é também a causa primeira da pintura humana, pois F.H. considera a ideia directamente infundida por Deus no génio do artista, ou por palavras suas «naturalmente dada pelo Sumo mestre Deus, gratuita no entendimento», sendo também aqui que reside a possibilidade por si enunciada de uma vivência mística, na tradição do neoplatonismo medieval, estabelecendo-se a contemplação divina pelo elo da ideia.
Por sua vez, esta dimensão mística presupõe uma ascética, quando refere a necessidade que assiste ao artista de «fortificar e defender a cidade da alma e o reino de seu espírito, guarnecendo e cingindo suas três potências com o inexpugnável muro da fé viva, esperança segura e caridade perfeita». A busca do divino é pois uma finalidade natural da pintura maneirista de F.H, reforçada aliás pela identificação entre o belo e o bem.
Todavia, a sua teoria do pintor comporta outra dimensão complementar à do engenho, referida desta feita aos aspectos técnicos e de aprendizagem, expressos no seu esforço infrutífero para a fundação em Portugal de uma academia de pintura. Trata-se agora da «arte, costume ou exercício» que se traduzem num conjunto de regras e preceitos técnicos, pois «nem por isso nascer com engenho somente basta, mas há-de logo ajudar a arte, e a ciência, e o costume, sem o qual o mor engenho dos homens não teria algum valor».
Abre-se-nos então o vasto domínio da aprendizagem a propósito do qual se revela possuído do ideal de um saber enciclopédico, transformando a pintura na mais completa e difícil de todas as artes humanas, reclamando, em consequência, um ambiente de liberdade incompatível com a organização corporativa vigente nesta época.
Obras do Pintor:
Francisco de Holanda, Retrato de Miguel Ângelo (Antigualhas, f. 2). Biblioteca de San Lorenzo de El Escorial.
Os Desenhos de Antigualhas que viu Francisco de Holanda, Pintor Português (1539-40); De quanto serve a ciência do desenho e entendimento da arte da pintura na república cristã assim na paz como na guerra (1571); De Aetatibus Mundi Imagines (1543-1573); Da Pintura Antiga (1548), introdução, notas e comentário de José da Felicidade Alves, Lisboa, 1984; Diálogos em Roma (1548), introdução e notas de José da Felicidade Alves, Lisboa, 1984; Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa (1571), introdução e notas de José da Felicidade Alves, Lisboa, 1984; Do Tirar Polo Natural (1549), introdução e notas de José da Felicidade Alves, Lisboa, 1984.
Bibliografia:
Jorge H. Pais da Silva, Estudos sobre o maneirismo, Lisboa, 1983; Jorge Segurado, Francisco d'Ollanda, Lisboa, 1970; José da Felicidade Alves, Introdução ao estudo da obra de Francisco de Holanda, Lisboa, 1986; José Freches, les Dialogues de Rome de Francisco de Holanda, Paris, 1973; José Stichini Vilela, Francisco de Holanda, Vida, Pensamento e Obra, Lisboa, 1982; Mariana Amélia Machado Santos, A Estética de Francisco de Holanda (I Congresso do Mundo Português), Lisboa, 1940; Ricardo Averini, «Francisco de Holanda e o juízo de Miguel Ângelo sobre a pintura flamanega» em A Introdução da Arte da renascença na península Ibérica, Coimbra, 1981; Robbert Klein, «Francisco de Holanda et les secrets de l'art», em Colóquio, nº XI; Sylvie Deswarte, Contribuition à la connaissance de Francisco de Holanda» em Arquivos do Centro Cultural Português, vol. VII, Paris, 1970; Id., As Imagens das Idades do Mundo de Francisco de Holanda, Lisboa, 1987; Id., Ideias e Imagens em Portugal na Época dos Descobrimentos, Lisboa, 1992.
Autoria deste texto: Pedro Calafate, de: http://www.instituto-camoes.pt/cvc/filosofia/ren5.html
Outros links:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_de_Holanda

Imagens: esquerda - "O sétimo dia" in Francisco de Holanda, De Aetatibus Mundi Imagines; Madrid, Biblioteca Nacional; direita:
Retrato de Miguel Ângelo (Antigualhas, f. 2). Biblioteca de San Lorenzo de El Escorial.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

BASÍLICA DE S. PEDRO EM ROMA (11º ANO)




A Basílica de São Pedro (em italiano: San Pietro in Vaticano) é uma grande basílica na Cidade do Vaticano, em Roma. Cobre uma área de 23000 m² e pode albergar mais de 60 mil pessoas. A construção começou em 1506 e terminou em 1626 sendo parcialmente erguida com dinheiro angariado pela venda de indulgências (ver Papa Leão X). O edifício atual, com estrutura renascentista e barroca, foi erguido sobre outro edifício levantado por ordem do imperador Constantino em (319)sobre o túmulo do apóstolo São Pedro, como memorial. A escolha do sítio e a inclusão do túmulo não só exigiu que o edifício fosse orientado para oeste, mas também que a necrópole antiga fosse aterrada, sendo construídas muralhas de suporte para criar uma enorme base que servisse como alicerce. Na plataforma, construiu-se então a basílica, com nave central e quatro naves laterais, ricamente adornada com afrescos e mosaicos e um grande átrio dianteiro, com colunas. Muitas vezes alterado e restaurado, o edifício de Constantino, conhecido como velha igreja de São Pedro, sobreviveu até o início do século XVI. No pontificado de Júlio II (1503 a 1513) decidiu-se afinal derrubar a igreja velha e em 18 de abril de 1506 Bramante recebeu o encargo de desenhar a nova. Seus planos eram de um edifício centralmente planificado, com um domo colocado sobre o centro de uma cruz grega (com braços de idêntico tamanho), forma que correspondia aos ideais da Renascença por copiar a de um mausoléu da antiguidade.
Um século mais tarde o edifício ainda não estava completado. A Bramante sucederam, como arquitetos, Rafael, Fra Giocondo, Giuliano da Sangallo, Baldassare Peruzzi, Antonio da Sangallo. O Papa Paulo III (pontificado de 1534-1549) em 1546 entregou a direção dos trabalhos a Michelangelo. Este, aos 72 anos, deixou-se fascinar pela cúpula, concentrando nela os seus esforços, mas não conseguiu completá-lo antes de sua morte em 1564. O zimbório é visível de toda a cidade de Roma, dominando seus céus. Tem diâmetro de 42 m, ligeiramente menor ao domo do Panteão, mas é mais imponente por ser muito mais alto, com 132,5 m. Graças a seus planos e a um modelo em madeira, por seu sucessor Giacomo della Porta foi capaz de terminá-lo com ligeiras modificações, apenas. O modelo segue o da famosa cúpula que Brunelleschi ergueu na catedral de Florença e cria impressão de grande imponência. A diferença é que, ao contrário do que Michelangelo planejou, não se trata de uma cúpula semicircular mas afunilada, criando um movimento de impulso para cima até culminar na lanterna cujas janelas, inseridas em fendas entre duas colunas, deixam a luz inundar o interior. Terminada em 1590, ainda é uma das maravilhas da arquitetura ocidental. Vignola, Pirro Ligorio, Giacomo della Porta continuaram os trabalhos na basílica. Mudanças na liturgia, introduzidas pelo Concílio de Trento, fizeram necessárias outras mudanças sob o pontificado do Papa Paulo V (1605 a 1621), que encarregou Carlo Maderno de aumentar para o leste o edifício, aumentando a nave e criando assim uma cruz latina. Completou também em 1614 a famosa fachada. O Papa Urbano VIII dedicou a nova igreja em 18 de novembro de 1626, precisamente 1.300 anos depois da data em que a primeira basílica fora dedicada. Em 1629, Gian Lorenzo Bernini, agora o arquiteto principal, começou a construir as torres sineiras na fachada, que ruiram por deficiências estruturais. Trinta anos mais tarde Bernini redesenharia a Praça de São Pedro, mudando alguns aspectos do domo de Michelangelo e, sobretudo, unificando todos os edifícios em um conjunto harmonioso.


Extraído de: Wikipédia.


Links úteis relativos a este assunto:
http://www.meucat.com/maps/geramap.php?dyn=s&lat=41.902181&lon=12.455664&zoom=17&tit=Praca+Sao+Pedro+-+Vaticano













domingo, 6 de janeiro de 2008

A Cultura do Palácio (11º): Introdução

A Cultura do Palácio é a designação da unidade temática de HCA que abrange o período da história cultural e artística europeia desde o princípio do século XV aos finais do século XVI. Em termos estilísticos, este período cobre o Renascimento e o Maneirismo. Contudo, não se trata apenas de uma abordagem dos estilos artísticos. O programa da disciplina procura chamar a atenção para as grandes transformações culturais (e mentais) que se operaram na época, sobretudo das elites políticas e intelectuais, e as mudanças do seu gosto e das técnicas no campo das artes.
Renascimento: foi uma revolução cultural?
Eugénio Garin escreveu um livro em que propunha abordar o Renascimento como um fenómeno de revolução cultural, em vasta escala, iniciado em Itália. Hodiernamente, esta ideia caiu em desuso, pois parece mais aos historiadores que os progressos alcançados neste período (séculos XV e XVI) se devem a um conjunto gradual de mudanças ocorridas na Europa em geral, e em Itália em particular, o que permitu o eclodir, num dado momento, das produções culturais e artísticas que chamamos de Renascimento. Assim, será possível compreender as obras de Dante, de Boccaccio, de Giotto ou mesmo a família Pisano, antes do tempo formal do Renascimento. Renascimento ou Renascimentos?
Esta questão relaciona-se com uma outra, colocada por alguns historiadores da arte e iconógrafos, e com os quais concordamos: artistas como Giotto ou os Pisano são muitas vezes qulaificados, dos pontos de vista técnico e estilístico, como proto-renascentistas, dado apresentarem, de forma sistemática na sua obra, características que anunciavam a essência de algumas temáticas próprias do renascimento.
Renascimento: só em Itália?
H. W. Janson na sua já clássica História da Arte colocou muito bem a questão da geografia do renascimento, no início do capítulo dedicado a este período artístico, onde se refere à comparação com o gótico final e à situação da pintura flamenga no século XV. De facto, embora a recolha de elementos formais e temáticos da antiguidade romana levada a cabo pelos artistas italianos seja um facto sui generis, a verdade é que os flamengos buscam já, no século XV e a partir, sensivelmente de J. van Eyck, soluções formais e técnicas que revelam um espírito humanista e de conquista da realidade, patente na técnica descritiva ao pormenor, na individualização dos rostos, no retrato psicológico ou na representação das perspectivas linear e aérea. Este facto leva-nos a pensar que a categoria "renascimento", aplicada às artes e sem o espartilho do revivalismo clássico, pode abranger mais do que a península itálica. Como Rio de Carvalho lhe chamou, não sei se de forma pioneira, a pintura flamenga quatrocentista constituiu uma via alternativa ao renascimento italiano, e pode muito bem ser estudada paralelamente a este. Contudo, os autores do programa de HCA não viram as coisas deste modo e optaram por incluí-la, simplesmente, na arte do gótico final. Na opinião de Manuel C. Mendes Atanázio, pelas mesmas razões apontadas, a arquitectura manuelina poderia também ser encarada como uma solução formal alternativa ao renascimento, no primeiro quartel do século XVI em Portugal.
Sobre estes assuntos ver:
- E. Panofsky. 1981. Renascimento e Renascimentos na Arte Ocidental. Lisboa: Presença.
- H. W. Janson. 1984. (3ª ed.) História da Arte. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
- M. C. Mendes Atanázio. 1984. A Arte do Manuelino. Lisboa: Presença.